A Educação a Distância é uma modalidade de ensino que possibilita a aprendizagem fazendo o uso de meios e tecnologias de informação e comunicação, as TICs. O panorama atual da EAD, que está inserida numa sociedade do conhecimento e tecnologia, é de mudanças evidentes tanto no perfil do aluno quanto dos suportes midiáticos, que possibilitam uma aprendizagem cada vez mais personalizada.
Nesse contexto surge um modelo de EAD que prevê a participação cada vez mais ativa do aluno na construção do conhecimento: o modelo colaborativo de aprendizagem, onde a interação com os colegas, com outros ambientes e até outras mídias constituem importante elemento para o aprendizado.
Segundo Lévy (1994), a interatividade pode ser compreendida como a possibilidade dos sujeitos participarem ativamente, interferindo no processo com ações, reações, intervindo, tornando-se receptor e emissor de mensagens que ganham plasticidade, permitindo a transformação imediata.
As novas tecnologias de comunicação oferecem excelentes condições para manuseio de palavras, imagens e sons que permitem a preparação de ambientes de aprendizagem para pessoas com diferentes “estilos”, ou perfis para adquirir informação e conhecimento. (LITTO, 2010, p.19)
Com essa infinidade de recursos, o conteúdo passa a ser contruído simultaneamente ao processo de aprendizagem, pelo professor e pelo aluno, fazendo com que cada turma de uma disciplina EAD por exemplo realize esse processo de forma cada vez mais personalizada.
Se no início da EAD mediada por computador se restringia ao envio de apostilas eletrônicas por CD-Rom, com a introdução das TICs passamos pela evolução da internet como meio de distribuição da informação até chegarmos a chamada quinta geração da EAD que envolve integração das mídias (MOORE; KEARSLEY, 2007). Nesse contexto surgem as mídias sociais como elementos-chave de interação, produção de conteúdos EAD, colaboração e participação ativa do aluno no processo de ensino-aprendizagem.
A utilização das mídias socias vem crescendo exponencialmente como forma de interrelação pessoal, comercial e até educacional na aprendizagem informal ou outra forma de aquisição de conhecimento.
As novas oportunidades das “redes de relacionamento social via web”, com seus blogs, flash mobs, smart mobs e mashups, são compatíveis com a participação em cursos online. Todas as características do chamado Web 2.0, ou a mais recente geração de formas de usar a rede para atividades sociais, estão alinhadas com a nova ênfase em trabalho colaborativo, compartilhamento de informação e alto grau de interatividade. (LITTO, 2010, p.53)
Se antes o aluno de EAD usava o cd-rom, apostilas e e-mail, hoje ele pode desenvolver um trabalho com comentários e divulgações no facebook com link para vídeos no youtube com a possibilidade dos colegas marcarem “gostei” e divulgarem no twitter. As mídias sociais possibilitaram não só a distribuição colaborativa da informação, mas também uma maior exposição do que foi produzido e o reconhecimento pelo público.
Um bom exemplo foi utilizado por um professor de SP que utilizou a limitação dos 140 caracteres do twitter (uma das redes mais populares entre os adolescentes) para desenvolver as habilidades dos estudantes. A criação de microcontos, técnica literária utilizada em poesias concretas, possibilitou aos alunos o aprendizado na prática. (ESTADÃO, 2010)
Mas, qual é o papel do professor nessa quinta geração da EAD? Antes de tudo é conhecer o potencial dessas mídias e trazer para a realidade do seu aluno. Incentivar a prática da heutagogia - que é a auto-aprendizagem - com um direcionamento para que o conteúdo e a compreensão deste seja construída em conjunto. Incentivar o aluno a “exposição” dos seus trabalhos para colaboração – mexer com o ego do aluno. Segundo Litto (2010) cada vez mais, aquelas tecnologias que estão nas mãos dos alunos que determinam como as instituições trabalha”.
CATASSINI, Laís. Twitter chega à sala de aula como ferramenta para aprender técnica literária. São Paulo: ESTADÃO, 2010. Disponível em:
LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência: o Futuro do Pensamento na Era Informática. Lisboa: Instituto Piaget, 1994.
LITTO, Fredric. Aprendizagem a distância. São Paulo: Imprensa Oficial, 2010.
MOORE, M. e KEARSLEY, G. Educação a Distância: uma visão integrada. São Paulo, Thomson Learning, 2007.